por Jean Haberman

“Pois será como a árvore plantada junto a ribeiros de águas, a qual dá o seu fruto no seu tempo; as suas folhas não cairão, e tudo quanto fizer prosperará”

Salmo 1:3

     Tive a oportunidade de, quando criança, ter um contato direto com o campo. Praticamente todos os finais de semana eu passava em uma pequena propriedade rural da minha família, era uma festa! Correr na grama, alimentar os animais e o melhor de tudo: comer fruta direto do pé. Pés de manga, tamarindo, jabuticaba, pêssego, abiu, pitanga… Ah! Que saudade!

Mas acontecia algo que me aborrecia muito em alguns destes finais de semana. Como de costume, chegava correndo e deixando o chinelo pelo caminho e começava a escalada no pé de manga, chegando ao meio da copa daquelas árvores vinha a decepção: nada de manga. Descia daquela árvore bem desapontado. Por mais que eu não entendesse, minha mãe sempre usava as mesmas palavras: “Não é época de manga”.

Começo esse devocional com essa pequena história pessoal pra dizer que foi difícil entender o que esse negócio de “época” significava. Grande era a minha indignação naquela época: “Como assim não é época? Isso é um pé de manga, está aqui pra isso: dar manga!”.

Muitas vezes na caminhada cristã temos essa postura, julgamos os mais novos na fé por não terem um comportamento santo. Cobramos postura de maturidade de nossas crianças na fé, é assim que nasce o comportamento religioso dentro da igreja, os novos começam a tomar atitudes “santas” não por entender a necessidade, mas porque são cobradas, isso gera atitudes sem fundamento, puramente por aparência.

É natural (não digo que seja certo) que os mais novos cometam erros, que ainda tenham atitudes carnais, isso faz parte do crescimento espiritual. Cabe a nós instruí-los pela palavra, entendendo que essa é uma mudança gradativa e que leva certo tempo para acontecer.  Quem já experimentou frutos diretos do pé vai concordar comigo que eles são muito mais gostosos e suculentos do que aquele que são madurados à força nesses sacolões e quitandas por aí.

Paulo diz em I Coríntios13:11: “Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino, mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino”. Paulo entendia que é perfeitamente normal agir como criança quando se é uma criança, mas ele termina dizendo: “MAS quando me tornei homem ACABEI com as coisas de menino”.

O segundo ponto que quero destacar é que chega uma hora na vida cristã que já não se pode mais ter atitudes infantis (espiritualmente falando), Deus espera que cresçamos na “graça e no conhecimento de Deus”, e que deixemos de ser crentes carnais para nos tornarmos crentes espirituais. O apóstolo Paulo começa essa mesma carta a Coríntios dizendo: “E EU, irmãos, não vos pude falar como a espirituais, mas como a carnais, como a meninos em Cristo” (I Coríntios 3:1).

Os historiadores afirmam que carta que conhecemos como primeira aos Coríntios é na realidade a segunda, porém aquela que seria a primeira nunca fora encontrada, isso por vários apontamentos que Paulo faz nesta carta como se já houvesse instruído de antemão sobre alguns assuntos. Notamos a tristeza de Paulo ao dizer que tinha vontade de falar para os “crentes” de Coríntios como que à pessoas espirituais, mas que ainda tinha que falar-lhes como à carnais.

Note que a expressão carnal não esta se referindo aos de fora, aos do mundo, não! Aqui o apóstolo esta falando com a Igreja de Corinto, e os chama de carnais. Os crentes carnais são aqueles que receberam a Cristo, mas que não cresceram espiritualmente ainda são meninos em cristo, ainda são imaturos. Como é triste ver que a igreja esta cheia de crentes carnais, que estão há anos em nosso meio, mas que nunca cresceram espiritualmente.

Crescimento espiritual depende de cada um de nós, por mais que Deus queira que cresçamos, essa é uma atitude que não depende dEle e sim de nós. Não adianta orar pedindo crescimento espiritual, pois crescimento só acontece à luz da palavra, quando renovamos nossa mente com a palavra de Deus (Romanos 12:2). Busque crescer em Deus, busque aprender mais da palavra dEle, leia a bíblia, leia livros, busque orientação de pessoas mais maduras na fé que você, questione, investigue, julgue as palavras que você ouve antes de aceitar, faça cursos bíblicos e acima de tudo, peça que o Espírito Santo te guie a toda a verdade. Essas são algumas ferramentas que vão promover crescimento espiritual na sua vida.

Se você é um novo na fé, saiba que o Senhor entende suas limitações, cresça com qualidade, não se apresse em querer ser perfeito da noite para o dia, isso leva tempo e esse tempo Deus quer passar te ensinado a crescer, busque pessoas mais experientes para te encorajar e te instruir no caminho certo.

Se você é mais velho na fé e ainda não cresceu, não é tarde para fazê-lo, pare de depender dos outros, pare de se alimentar apenas com as mensagens dos cultos, pare de depender de todo mundo para orar por você, cresça! Seja alguém que vai apoiar os novos na fé, e dê os frutos que Deus espera de você. Saiba que você não está sozinho, Ele está conosco todos os dias (Mateus 28:20), não ande sozinho! Busque pessoas que vão contribuir para sua maturidade, ninguém vive bem sozinho, ajude outras pessoas e seja ajudado, é bom congregar, pois na comunidade dos santos nos tornamos cada vez mais maduros.

Fonte: http://www.ctmdt.com

Este devocional falou muito ao meu coração, o tempo não se refere apenas às nossas particularidades sentimentais ou profissionais, existe tempo até mesmo para nosso amadurecimento na fé, eu sou exemplo disso e como tal devo ajudar os mais novos na fé e amadurecer mais ainda juntamente com os mais maduros. Deus fez todas as coisas perfeitas e a comunhão é isso. Pense nisso e, mais uma vez, não ande sozinho, somos um corpo inteiro!

Na paz daquele que nos faz um,

Lucas Ferreira (lucas_scraft@hotmail.com)