Certa vez alguém me disse que as abelhas morriam após picar alguém. Confesso que nunca acreditei muito nisso e muito menos parei para observar se realmente isso acontecia, principalmente porque eu não iria me submeter a uma picada de abelha (Que dói muito por sinal). Mas me surpreendi ao pesquisar sobre o assunto, isso acontece mesmo. As abelhas operárias são encarregadas de proteger a colmeia até mesmo com a própria vida e, quando finca o seu ferrão em alguma coisa ou pessoa, ao sair dali parte do seu abdômen é arrancada e ela, posteriormente, morre.

 Refleti vários minutos sobre isso. Comecei associar a vida das abelhas com as nossas vidas e entendi o motivo de Deus ministrar durante toda a semana em meu coração sobre morrer através do texto de 2 Co. 4. Se você puder, leia esse texto todo, é tremendo! Mas quero que nos fixemos em um trecho deste capítulo.

E assim nós, que vivemos, estamos sempre entregues à morte por amor de Jesus, para que a vida de Jesus se manifeste também na nossa carne mortal.
De maneira que em nós opera a morte, mas em vós a vida.
2 Coríntios 4:11-12

 As palavras de Paulo ecoaram fundo no meu coração e eu entendi. Para que haja vida nos outros, eu preciso morrer. Assim como as abelhas operárias são responsáveis pela segurança da colmeia, cada um de nós é responsável pela Igreja de Cristo e pelos perdidos. Lembrando sempre que a Igreja são PESSOAS e não um prédio. Muitos de nós não entendemos o que é morrer por outras pessoas. Não quer dizer que vamos cometer suicídio, mas vamos matar a nossa vontade, nossos prazeres, nosso tempo, nossa carne em favor de outros. Essa é a mensagem da cruz. É por Jesus que temos que fazer isso, porque Ele não poupou seu próprio corpo de sofrer danos e dores terríveis por amor a nós. E o que fazemos pelos outros? É através de nossa morte que Eles conhecerão a Jesus, é através de nossa morte que eles conhecerão o amor. Um amor muito diferente dos expressos em conto de fadas e canções românticas ou bonitas. Um amor que excede todo o entendimento.

Por essa razão, ajoelho-me diante do Pai,
do qual recebe o nome toda a família nos céus e na terra.
Oro para que, com as suas gloriosas riquezas, ele os fortaleça no íntimo do seu ser com poder, por meio do seu Espírito,
para que Cristo habite em seus corações mediante a fé; e oro para que vocês, arraigados e alicerçados em amor,
possam, juntamente com todos os santos, compreender a largura, o comprimento, a altura e a profundidade,
e conhecer o amor de Cristo que excede todo conhecimento, para que vocês sejam cheios de toda a plenitude de Deus.
Efésios 3:14-19

 É o nosso amor por Jesus que nos faz amar as pessoas, é o amor que move os nossos corações a não nos conformar com este século, é amor que nos motiva a persistir sacrificando o nosso Eu, a nossa vontade e nossas escolhas para engrandecer o Reino. AMOR. No sentido real da palavra: Sacrifício.

Quando a abelha percebe um perigo ela tem de atacar, mesmo sabendo que vai morrer. Ela não pode simplesmente fugir e deixar suas “atribuições” porque ela fora criada para aquilo.

 Quantos de nós não fugimos das responsabilidades de servo? Todos queremos bênçãos, todos queremos prosperidade, um bom emprego, uma família abençoada e diversas coisas para nos satisfazer. Mas poucos querem morrer por amor a outras pessoas. Eu choro ao pensar nisso, ao pensar em quão egoísta sou e quantas pessoas não vieram para Cristo porque eu não me sacrifiquei por elas!

A abelha se desloca do lugar da picada porque sabe que, mesmo morrendo, cumpriu sua tarefa. Se ela permanecer “fincada” no lugar onde picou a abelha não morre. Mas ela não pode continuar ali, porque sabe que, ao sair vai liberar o odor que comunica às outras abelhas que há um perigo naquele lugar.

Nós não podemos nos contentar em ver nossa “colmeia” em perigo e não alertar sobre o ocorrido. Não é responsável diante de Deus vermos as coisas erradas e concordarmos com aquilo. Devemos morrer para que os outros percebam o perigo e se protejam debaixo das asas do Senhor.

Logo, a abelha morre. Mas, a colmeia está protegida e avisada.

 Morrer não é uma tarefa fácil. Vai doer e muito. Sinto isso na pele. Mas, teremos uma certeza: estamos cumprindo a vontade de nosso Pai e certificando-nos de que nossa morte trará vida para muitas outras pessoas que já estarão protegidas e alicerçadas no Senhor.

Finalmente, podemos confiar que tudo que passamos, as dores de morrer, de negar nossas próprias vontades, só nos trazem um peso de glória e uma confiança no que é Eterno, porque vem de Deus. Não importa o que os nossos olhos veem agora, porque o que veremos depois valerá a pena.

Por isso não desanimamos. Embora exteriormente estejamos a desgastar-nos, interiormente estamos sendo renovados dia após dia,
pois os nossos sofrimentos leves e momentâneos estão produzindo para nós uma glória eterna que pesa mais do que todos eles.
Assim, fixamos os olhos, não naquilo que se vê, mas no que não se vê, pois o que se vê é transitório, mas o que não se vê é eterno.
2 Coríntios 4:16-18

 

No amor Daquele que morreu para que eu pudesse viver,

 

Lucas Ferreira (lucas_scraft@hotmail.com)

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