Mais Que Vencedores

“Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores por meio daquele que nos amou” (Romanos 8.37)

Quem não gosta de ganhar não é mesmo? Ninguém gosta de perder! O desejo de ganhar e de conquistar está no nosso sangue, ainda tem o ditado popular “Sou brasileiro e não desisto nunca!” Vivemos buscando o sucesso na vida, hoje pais criam filhos para serem vencedores. Julgamo-nos preparados (e programados) para ganhar, mas raramente sabemos lidar com a realidade das perdas. Por isso, o texto de Paulo em Romanos 8.37 é muito atraente. Lemos de peito aberto: “somos mais que vencedores”. Mas como entender isso quando o médico diagnostica o câncer, ou quando o casamento termina em divórcio, quando um namoro de anos termina, ou ainda quando aquele filhinho querido e tão carinhoso cresce, se torna um desconhecido e se perde em amizades perigosas? Como ler em Paulo que somos mais que vencedores quando somos demitidos do emprego, as dívidas se acumulam como uma grande bola de neve e precisamos viver da bondade e do socorro de parentes e amigos?

Quando lemos Romanos 8, porém, descobrimos que Paulo está falando de algo muito superior. Aliás, a força da expressão “somos mais que vencedores” está justamente no contexto imediatamente anterior, quando Paulo fala de “tribulação, angústia, perseguição, fome, nudez, perigo, espada”, e ainda diz que “somos entregues à morte o dia todo, fomos considerados ovelhas para o matadouro” (vs.35-36). Aí, então, ele afirma que “em todas estas coisas (ou seja, apesar delas), somos mais que vencedores”.

Isso quer dizer que ser um vencedor, na compreensão de Paulo, não estava relacionado com circunstâncias externas favoráveis ou mesmo com um estado de mente livre de qualquer ansiedade. A verdadeira vitória, aquilo que nos torna mais que vencedores, segundo Paulo, tem um caráter essencialmente relacional e tem a ver com a pergunta “Quem nos separará do amor de Cristo?” (v.35). “…somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou”. Nossa maior vitória não tem a ver com sucesso profissional, prosperidade financeira, sorte no amor etc., mas com a certeza do amor de Deus por nós. Saber que somos amados e aceitos por Deus, imerecidamente, apesar do pecado que habita em nós, e que ninguém e nada pode nos tirar isso, é o que nos leva a exclamar, com toda convicção: “somos mais que vencedores”. Paulo estava convicto de que o amor de Deus é tão grande e incondicional que “nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor” (vs.38,39).

Na nossa cultura pragmática e competitiva, o conceito de vitória está relacionado com resultado. Quem chegar primeiro, é o vencedor! E quem vai chegar em primeiro será quem for o melhor, o mais preparado, o mais forte, o mais inteligente, o mais esperto, o mais… Segundo Paulo, porém, o conceito de vitória não tem a ver com um resultado produzido pela nossa própria capacidade pessoal, mas com o fato de que Deus nos ama gratuitamente. Não somos mais que vencedores por alguma conquista pessoal, mas porque Deus “nos dá a vitória por intermédio de nosso Senhor Jesus Cristo” (1Co 15.57). Assim, Paulo também diz: “Graças, porém, a Deus, que, em Cristo, sempre nos conduz em triunfo” (2Co 2.14).

Vivendo num mundo que nos impõe tantas perdas, as palavras de Paulo são como uma luz na escuridão. Saber que, apesar de nossas perdas, fracassos, limitações e incompetências, podemos ser “mais que vencedores, por meio daquele que nos amou” nos liberta da tirania da concorrência e da competitividade. Quando vemos os outros e a nós mesmos do ponto de vista do amor de Deus, ficamos seguros o suficiente para não depender de reconhecimentos e elogios, bem como para evitar a inveja e a cobiça. Como Henri Nouwen diz: “estou convencido de que muitos dos meus problemas emocionais se derreteriam como neve ao sol se eu pudesse deixar que a verdade do amor de Deus, que não faz comparações, penetrasse em meu coração”.

Deus o abençoe a todos.

Michel Alves

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