Esperança

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E os discípulos de João anunciaram-lhe todas estas coisas. E João, chamando dois dos seus discípulos, enviou-os a Jesus, dizendo: És tu aquele que havia de vir, ou esperamos outro? E, quando aqueles homens chegaram junto dele, disseram: João o Batista enviou-nos a perguntar-te: És tu aquele que havia de vir, ou esperamos outro? E, na mesma hora, curou muitos de enfermidades, e males, e espíritos maus, e deu vista a muitos cegos. Respondendo, então, Jesus, disse-lhes: Ide, e anunciai a João o que tendes visto e ouvido: que os cegos vêem, os coxos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e aos pobres anuncia-se o evangelho. E bem-aventurado é aquele que em mim se não escandalizar.
Lucas 7:18-23

O João citado no texto, é João Batista, aquele que veio anunciar e preparar o caminho para a vinda do Messias. Lucas nos primeiros capítulos de seu evangelho nos fornece detalhes a repeito de João Batista. Nascido de Isabel, esposa de Zacarias, ambos de linhagem sacerdotal, descritos como justos e irrepreensíveis (Lc 1:6). Mesmo ambos já serem de idade avançada e Isabel ser estéril, do ventre dela nasce o que é chamado pelo próprio Jesus de o maior dos profetas(Lc 7:28). Menino sobre qual o Espírito e a mão do Senhor já estava sobre desde o ventre materno (Lc 1:15;66). Aquele que ao ver Jesus exclamou “Eis o cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!”(Jo 1:29) e com a certeza inundando seu coração declarava “Este era Aquele de quem eu dizia: O que vem depois de mim é antes de mim!”(Jo 1:30) , que batizou Jesus e testificou o Espírito descer sobre ele (Mt 3:13-17).

Agora ele se encontra preso, toda a liberdade de um deserto, reduzida à metros quadrados e possivelmente sem o alcance dos raios do sol, toda sua intrepidez fora enjaulada, na verdade ela que o colocara lá, suas palavras duras contra o pecado de Herodes Antipas, que possuíra Herodias, esposa de seu meio irmão Felipe (Lv 18:16), foi o que levou João à prisão (Mc 6:14-29). Nesse calabouço sua esperança estava no Messias que ele anunciara e vira chegar, mas sua expectativa de Messias era um pouco diferente do que viria a ser relatado para ele por seus discípulos (Lc7:18). João esperava um Messias guerreiro, que iria libertar Israel dos romanos, que iria resgatar os seus e condenar os que não eram seus (Lc3:9), que traria toda a vingança e retribuição da profecia de Isaías 35:4-6. Que o colocaria em liberdade novamente, e ainda mais que a liberdade João teria o prazer de andar com aquele do qual um dia prenunciou.

Mas a cada relato que seus discípulos, a alma desse grande profeta se abatia, sua esperança se esvaia. A descrição feita por eles não batiam com a expectativa do seu coração acerca do Messias. Descreviam-lhe um Messias misericordioso, compassivo, que liberta endemoniados (Lc 4:31-37), que para pescadores dá pesca abundante (Lc 5:1-11), que cura enfermos, que chama pescadores e publicanos para serem discípulos (Lc 5:27-28; 6:12-16), que se assenta e come com aqueles que João chamava de “raça de víboras”(Lc 5:29-32), que apregoa amor aos inimigos (Lc 6:27-31). Aos poucos a dúvida tomou espaço no coração de João e agora ele se questiona em seu íntimo “será Este o que havia de vir, ou esperaremos outro”.

João não mais suportando suas dúvidas e sua situação, envia seus discípulos até Jesus, em busca de respostas. Jesus sendo questionado não responde de imediato, mas entre a multidão continua curando e libertando, e depois pede ao discípulos que voltem e anunciem o que viram e ouviram para João, que os cegos vêem, os coxos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e aos pobres anuncia-se o evangelho. Jesus traz à memória de João aquilo que ele bem conhecia, as profecias de Isaías:

Dizei aos turbados de coração: Sede fortes, não temais; eis que o vosso Deus virá com vingança, com recompensa de Deus; ele virá, e vos salvará.
Então os olhos dos cegos serão abertos, e os ouvidos dos surdos se abrirão.
Então os coxos saltarão como cervos, e a língua dos mudos cantará; porque águas arrebentarão no deserto e ribeiros no ermo.
Isaías 35:4-6

Sim João, a vingança e recompensa também são promessas, mas para esse tempo se cumpre a graça e a misericórdia, não se angustie, seu trabalho não foi em vão, Eu sou aquEle que estava por vir, o qual você bem anunciou e preparou caminho, e aqui nesta terra talvez você não participará deste caminho comigo, mas um dia andaremos lado a lado, em um lugar que não haverá mais prisões, nem choro, nem dor (Ap 21:4), lá você será livre dessa prisão e verá aquele que um dia te enviou.

E Jesus ainda continua após a saída dos discípulos de João, dando testemunho daquele que um dia deu testemunho dEle, sim este João que fora tomado pela dúvida não é um caniço levado pelo vento, ou um homem de roupas finas, que se assiste em palácios, ele é profeta e te digo, entre os nascidos de mulher ninguém aparecerá maior do que João Batista. A dúvida de João não mudou a forma como Jesus o via.

E que nós também possamos ser lembrados que não importa as circunstâncias, Ele continua sendo Deus. E que como o salmista nós aprendamos a cada dia repetir para nós mesmos, e disciplinar nossa alma, quando ela insiste em ser como uma criança mimada:

Assim como o cervo brama pelas correntes das águas, assim suspira a minha alma por ti, ó Deus!
A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo; quando entrarei e me apresentarei ante a face de Deus?
As minhas lágrimas servem-me de mantimento de dia e de noite, enquanto me dizem constantemente: Onde está o teu Deus?
Quando me lembro disto, dentro de mim derramo a minha alma; pois eu havia ido com a multidão. Fui com eles à casa de Deus, com voz de alegria e louvor, com a multidão que festejava.
Por que estás abatida, ó minha alma, e por que te perturbas em mim? Espera em Deus, pois ainda o louvarei pela salvação da sua face.
Ó meu Deus, dentro de mim a minha alma está abatida; por isso lembro-me de ti desde a terra do Jordão, e desde os hermonitas, desde o pequeno monte.
Um abismo chama outro abismo, ao ruído das tuas catadupas; todas as tuas ondas e as tuas vagas têm passado sobre mim.
Contudo o Senhor mandará a sua misericórdia de dia, e de noite a sua canção estará comigo, uma oração ao Deus da minha vida.
Direi a Deus, minha rocha: Por que te esqueceste de mim? Por que ando lamentando por causa da opressão do inimigo?
Com ferida mortal em meus ossos me afrontam os meus adversários, quando todo dia me dizem: Onde está o teu Deus?
Por que estás abatida, ó minha alma, e por que te perturbas dentro de mim? Espera em Deus, pois ainda o louvarei, o qual é a salvação da minha face, e o meu Deus.
Salmos 42:1-11

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