Rute: A mão de Deus em nossas vidas

E sucedeu que, nos dias em que os juízes julgavam, houve uma fome na terra; por isso um homem de Belém de Judá saiu a peregrinar nos campos de Moabe, ele e sua mulher, e seus dois filhos; E era o nome deste homem Elimeleque, e o de sua mulher Noemi, e os de seus dois filhos Malom e Quiliom, efrateus, de Belém de Judá; e chegaram aos campos de Moabe, e ficaram ali. E morreu Elimeleque, marido de Noemi; e ficou ela com os seus dois filhos, Os quais tomaram para si mulheres moabitas; e era o nome de uma Orfa, e o da outra Rute; e ficaram ali quase dez anos. E morreram também ambos, Malom e Quiliom, ficando assim a mulher desamparada dos seus dois filhos e de seu marido.
Rute 1:1-5

Rute, um livro curto apenas 4 capítulos, porém grande o suficiente para nos fazer refletir sobre diversas coisas, principalmente em como cada detalhe não foge do controle de Deus, e que mesmo em uma época conturbada como foi a época dos Juízes, onde podemos ver problemas muito maiores como apostasia, opressão, guerras, inveja entre as tribos, a viuvez de 2 mulheres não passa despercebida aos olhos de Deus que intervem de forma mais do que suficiente.

Esses primeiros versículos do texto, nos permite visualizar o contexto no qual se desenvolve a história. Primeiramente o texto nos fornece o período, que é nos dias dos Juízes, que começou após a morte de Josué (Jz 2: 6-9), líder do povo que entrou na terra prometida, atravessou o rio Jordão (Js 3), começou a conquista da terra(Js 12:7-24), distribuiu a terra entre as tribos (Js 14—19), e como Deus ordenara deixou cada tribo responsável por aniquilar um povo. Então Josué morre e como é descrito em Juízes 2:10 assim também se sucede a toda aqueles que viram as conquistas do povo com Josué, e outra geração se levantou, a qual não conhecia o Senhor e tampouco a obra que Ele fizera a Israel. Essa geração, sobre a qual não havia um rei, cada um fazia o que queria o que achava que era correto (Jz 21:25).

Após esse contexto geral, os próximos versículos de Rute, nos permite fazer um contexto mais próximo de nossos personagens. Em Belém de Judá, que significa “Casa do pão”, mas que agora passa por um momento de escassez, habitavam Elimeleque, sua esposa Noemi, e seus dois filhos, Malom e Quiliom. Provavelmente essa escassez durou anos, e nesse período nasceram Malom e Quiliom, pois isso explicaria seus nomes, que significam respectivamente doente e definhando, e também sua morte prematura, narrada mais adiante.

Por causa da prolongada escassez, Elimeleque decide levar sua família para Moabe. Essa decisão pode não ter sido tão simples, Elimeleque significa “Deus é rei”, nome naquela época revelava as convicções religiosas, indicando o tipo de educação religiosa Elimeleque teve em sua vida, e nos tempos dos Juízes, um Israelita, temente ao Senhor, tomar a decisão de ir para as terras de Moabe, não era algo simples. Moabe era um dos principais inimigos de Israel, seu surgimento é narrado em Gênesis 19:30, quando as filhas de Ló, o embriagaram e se deitaram com ele. Em diversas passagens podemos ver conflitos entre Israel e Moabe. Fora os conflitos os moabitas adoravam ao deus Quemós (Camos), e acreditavam que sua era apaziguada através de sacrifícios humanos. Entretanto a fome faz com que a família de Elimeleque buscasse refúgio nestas terras.

Estando Elimeleque e sua família em Moabe, Elimeleque vem a morrer, deixando Noemi viúva com seus dois filhos. Malom e Quiliom se casam com mulheres moabitas, Rute e Orfa, mas antes mesmo de terem filhos ambos falecem. Não havia condenação para o casamento com os Moabitas (Dt 7:1-5), mas entre os Israelitas não era visto com bons olhos. O cenário que parecia não poder ficar pior agora atinge o ápice do caos, Noemi viúva em terra estrangeira com duas noras também viúvas e sem filhos. A viuvez naqueles tempos deixava a mulher econômica e socialmente vulnerável, se o esposo tinha alguma dívida a viúva tinha que pagar, se não tivesse dinheiro, era obrigada a entregar seus filhos  a servidão, e quando não havia filhos sua sobrevivência viria do trabalho nos campos (Dt 24:19).

Mas como iremos ver no decorrer do livro não é isso que o Senhor tem preparado para aquele que nEle busca refúgio.

Até o próximo post.

 

 

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